Páginas

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

PARADOXO => É SIMPLES, MAS AO MESMO TEMPO... NÃO É TÃO SIMPLES ASSIM...

O maior dos problemas reside em que poucos realmente creem que

 a relativa solução do

Caos nesse Trem Doido 

Depende da Revolução Interior 

em Nós Mesmos.



                       Claudio Pierre 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

QUEM ME REPRESENTA – SOBRE ESSE SISTEMA FALIDO DE REPRESENTATIVIDADE XIX

QUEM ME REPRESENTA – SOBRE ESSE SISTEMA FALIDO DE REPRESENTATIVIDADE XIX

As pessoas (sempre elas...) vivem discutindo “Esquerda” vs “Direita”...

Enquanto isso...

Aproximadamente 1617 candidatos disputam seu voto para uma das 51 cadeiras de vereador que tem a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

“Dizem” que Você tem que votar conscientemente – exercendo sua condição de Cidadão, e uma das decisões mais importantes  começa pela escolha dos vereadores.

- Concordo!

Mas, por outro lado: 

Quais os critérios adotados para conhecê-los realmente?

Não seria mais adequada uma estrutura onde o postulante ao cargo fosse realmente avaliado pela sua atuação ao longo de um processo junto, por exemplo, a determinada Comunidade Distrital  que pretende representar, ao invés de avaliação mediante mínimas inserções televisivas na propaganda eleitoral?

Porque as Tv´s da Representatividade não são disponibilizadas na Rede Aberta?

Porque as condições de Representatividade, de nossos supostos representantes = conjunto dos seus privilégios e direitos, de modo geral => não são formuladas também em consonância com os representados – Os Cidadãos?

       Claudio Pierre   

domingo, 25 de setembro de 2016

"AS PESSOAS" EM VOCÊ

“AS PESSOAS” EM VOCÊ...

A potencialidade inerente em cada Ser Humano, nem sempre estará refletida e desperta, na medida em que a multidão das pessoas estiver programando Você, condicionando-o para uma existência baseada em um conjunto de conceitos e valores artificiais.

Claudio Pierre  


//

Meu comentário: E o blá-blá-blá continua... Proclama-se uma suposta: “modernidade” e “revolução interior” – enquanto mantêm-se deliberadamente presentes e inalterados os mesmos “velhos conceitos e valores” responsáveis pela estagnação neste plano quanto a um sentido relativamente mais evolutivo.  

terça-feira, 20 de setembro de 2016

QUEM ME REPRESENTA XVIII

Significado de Cuidar

v.t.Ter cuidado, tratar de, assistir: cuidar das crianças.Cogitar, imaginar, pensar, meditar: cuidar casos graves.Julgar, supor: cuida ser uma pessoa importante.V.pr.Ter cuidado; tratar-se (da saúde etc.).

Significado de Administrar

v.t.Governar, dirigir: administrar o país.Conferir: administrar os sacramentos.Dar a tomar: administrar um remédio.Administrar justiça, fazer justiça.

- "Vou “cuidar” de Vocês!!!"

Não é a toa ser tão comum ao “politiqueiro tradicional” utilizar a expressão “cuidar” ao invés de “administrar”... //

= > Em maior ou menor intensidade é exatamente esta a declaração que os nossos “supostos representantes” mais expressam, principalmente em período de campanha eleitoral...  

Primordialmente quem tem a função de cuidar são os Pais, os Familiares e Amigos...

Enquanto ao(s) Administrador(es) Público(s) caberia (ou deveria caber) a obrigação de administrar em função de sua comprovada meritocracia e honestidade – por prazo determinado – exercendo as funções para as quais se habilita – estando em contrapartida, sujeito(s) a constante avaliação de seu papel 

=> justamente para favorecer a relativa ação daqueles que naturalmente são (ou deveriam ser) os responsáveis por Cuidar.   


=> Portanto, embora pareça um mero detalhe, ainda mais sob esse Sistema Falido de Representatividade, são duas funções totalmente distintas:

- A eficiente e desejável Administração de um Político não se confunde com o Cuidar exercido por: Um Pai, Uma Mãe, Um Familiar, Um Amigo.     

Claudio Pierre  

//
Meu comentário: Sob esse Sistema Falido de Representatividade essa declaração: - Vou cuidar de Vocês - da forma como é manifestada por determinado candidato ao eleitor - como um Pai ou uma Mãe que se dirige ao seu filho - é para mim uma das mais claras evidências da "politicagem".

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ENQUANTO ISSO...

ENQUANTO ISSO...


As pessoas (sempre elas...) vivem discutindo “Esquerda” vs “Direita”...

Enquanto isso...

A Constituição que deveria servir como referência – seja da “direita”, seja da “esquerda” – não para uma Unanimidade, mas ao menos para um parâmetro de relativa Justiça – continua sendo violada em seu artigo mais fundamental.

Estou me referindo justamente aquele artigo que trata sobre o Salário Mínimo – que tem sido tão usado politiqueiramente tanto pela “direita” como pela “esquerda” como moeda de troca em forma de uma “política” de “bolsas de todos os tipos” – ao invés de cumprimento do que determina a tal Constituição Cidadã, que por sinal, sempre manteve assegurado Para e Pelos nossos “supostos representantes” os Seus direitos expressos nela; contudo deixando de cumprir com a mesma determinação e interesse pelos mesmos “supostos representantes” a defesa dos Nossos direitos. //


Quem é o patrão afinal?!? 
    
                     Claudio Pierre  

sábado, 3 de setembro de 2016

CÉU INTERIOR

Os Sonhos do Céu e da Terra...

A cada fase

Sempre estarão presentes em

Nosso Céu Interior.

Claudio Pierre

domingo, 28 de agosto de 2016

O CHORO DO MUNDO

O CHORO DO MUNDO

Choro todos os dias...
Pela degradação dos valores humanos
Que falseiam de baixo para cima e de cima para baixo
A Essência do Ser
Em nome de uma robotização às massas (de baixo e de cima), em um único sentido
=> Tempo é dinheiro!

Choro todos os dias...
Pela distorção da Unidade, em um dos mais nobres valores que temos
A Educação
Na medida em que é utilizada enquanto moeda de troca
Na ordem em que são distorcidos os seus valores entre:
A teoria que aprendo na Escola da Vida
E a prática corporativa e politiqueira nas relações sociais...

Ainda assim, por vezes, contenho o meu choro

Pois algo me diz que
A Chama mesmo enquanto tênue e encoberta faísca

Ainda é o alento de Esperança
A quem se disponha a reescrever Seu Caminho neste Plano

Sob a perspectiva de que o subjetivo Ideal de Cada Ser seja mais intenso do que a programação que hipnotiza para o Medo de Amar.   

               
               Claudio Pierre 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

VERSOS SEM RIMA

Versos Sem Rima 
(ao meu amigo Claudio Rapello) 


Você reclama que meus versos não tem rima
Mas é que nunca sei onde cabem
Melhor em baixo ou melhor em cima?
E se eu fizer uma rima pobre? 
Não será nada que preste 
Muito menos um poema nobre...
Então tento este, ainda que sem métrica
Quero é que fique engraçado 
Mesmo que sem estética
Fiz da crítica um desafio 
Que um pós moderno pode fazer rimas
Aposto, acredito, confio!

José Antonio Maia 
16 de maio de 2015

//

domingo, 21 de agosto de 2016

DUAS PÉROLAS PARA REFLEXÃO

PAIXÃO E FÉ
                                     Tavinho Moura e Fernando Brant

Já bate o sino, bate na catedral
E o som penetra todos os portais
A igreja está chamando seus fiéis
Para rezar por seu Senhor
Para cantar a ressureição
E sai o povo pelas ruas a cobrir
De areia e flores as pedras do chão
Nas varandas vejo as moças e os lençóis
Enquanto passa a procissão
Louvando as coisas da fé
Velejar, velejei
No mar do Senhor
Lá eu vi a fé e a paixão
Lá eu vi a agonia da barca dos homens
Já bate o sino, bate no coração
E o povo põe de lado a sua dor
Pelas ruas capistranas de toda cor
Esquece a sua paixão

Para viver a do Senhor.

////

SINAL FECHADO
                  Paulinho da Viola
Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo,
pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono
tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
é a alma dos nossos negócios...
Oh! Não tem de quê.
Eu também só ando a cem,
Quando é que você telefona,
Precisamos nos ver por aí.
Prá semana, prometo talvez
nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo... 

sábado, 20 de agosto de 2016

CHUTANDO O BALDE

CHUTANDO O BALDE...


Se dependesse de mim as ditas “celebridades” produzidas pelo “marketing da hora”, jamais encheriam ginásios, estádios ou congêneres...

Não venderiam sequer uma bala em função de sua veiculação em propagandas nos meios de comunicação...

=> Pode ser que assim desmoronasse essa estrutura fictícia de transformar pessoas que são tão comuns e humanas como nós – sujeitas a erros e acertos – como “superiores” em função do seu “circunstancial poder ($$$) e supremacia assegurados por uma “sociedade artificial”...  

Se dependesse de mim os “politiqueiros” que em geral trazem consigo, seguindo essa tradição, seus familiares ocupando cargos de relevância, sem nem ao menos terem capacidade para tal desde Secretarias até Ministérios dos mais diversos – não teriam nenhuma chance de serem eleitos...

=> Pode ser que assim a Arte da Política fosse levada realmente a sério concedendo de uma forma renovadora e temporária a direção / administração aqueles realmente capacitados para exercê-la...   

Dessa forma, Declarações e Leis que nesse Plano auto proclamam-se como instauradoras da Paz e Harmonia entre os Povos deixariam de ser mero objeto / instrumento de retórica; mas ação efetiva e eficaz para garantia dos mínimos direitos para TODOS.  

                       Claudio Pierre  


//
Meu comentário: Evidentemente o “Se” não tem capacidade de modificar o “É assim...” – mas, de vez em quando => Chutar o Balde faz bem...   

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

LEMBRANÇAS DE MORRER

Lembranças de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:

Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas …

De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Poucos – bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores…

Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa!


                                   Álvares de Azevedo

//

Meu comentário: Esse foi um dos Poemas que mais me impactou quando iniciei minha fascinação pela Poesia.

sábado, 23 de julho de 2016

O ESPÍRITO DA COISA XI



Sob a diversidade de rótulos desse Plano: Riqueza, Pobreza, Feio, Bonito, Cor da Pele... 

Estabelecem-se as ficções da mente... 

Porém, a Chama da Arte / da Vida é aquela que realmente concretiza a Obra Possível do Artista em Nós... 

E independentemente de obstáculos de uma "sociedade artificial" com os seus rótulos, sobretudo de Sucesso e Malogro - o fato é que o Subjetivo Poder da Criação deixa a sua marca e seu registro em uma Dimensão Atemporal
 – O Espírito da Coisa.


                Claudio Pierre  

sábado, 16 de julho de 2016

MIRAGEM

Não confunda a parte com o TODO
Quando ouvir dizerem por aí: 
- Amor é dinheiro no bolso!

Nem tampouco se julgue excluído
Pela ausência de uma companheira ao seu lado
Nas noites frias no inverno da aparente solidão
Mesmo após sucessivas tentativas infrutíferas de correspondência
Ao seu arroubo apaixonado...

Reveja a verdade contida no clichê:
- Sem sorte no Amor!

Pois,
Qualquer que seja o seu infortúnio
Mesmo que justificado
A resposta
Não haverá de chegar pela parte
Senão pelo TODO

Do qual dependerá
Sua compreensão e Consciência acerca do
Mistério de fazer o melhor possível no seu Movimento
Subjetivo DO Ser e DO Vir a Ser.


                                                          Claudio Pierre

sexta-feira, 8 de julho de 2016

SIMULTANEAMENTE e INVASÃO

Conheci recentemente uma Poetisa Helena de Campos e estou divulgando dois dos seus Poemas constantes de seu Livro Independente – Gangorra Poética com comentários - A Turma da Arte é Boa!!!:


                                    SIMULTANEAMENTE

Simultaneamente... acontece aqui, acontece ali, ao
mesmo tempo.
Nada igual.
Às vezes parecido, mas diferente.
Aqui pode ser bom, ali ruim, mas simultaneamente,
acontece ao mesmo tempo.
Ali eles gostam aqui eu detesto, mas é ao mesmo tempo.
E, ao mesmo tempo, faz chorar, faz dar risada.
Faz crescer... pode matar.
A vida é bela, mas, simultaneamente, é nua, é crua.
Não para, não espera.
Ela simplesmente acontece.
Ao mesmo tempo, simultaneamente pra toda gente.
                                 
                                       Helena de Campos

//
Meu comentário: O “Milagre do Movimento”... Acontece Simultaneamente – e de uma forma ou de outra, em maior ou menor Consciência => Estamos Conectados “A Ele” (O TAO).
  ////////


INVASÃO
O amor...
A amizade...
O perdão...
A felicidade...
O medo...
A verdade...
O sofrimento...
A saudade...
O destino...
A liberdade...
O tesão...
A idade...
O instinto...
A maldade...
Como conviver com tudo isso
que, simplesmente, invade?

                                 Helena de Campos

//
Meu comentário: Creio que é pela forma que reagimos perante essa “avalanche” de Emoções e Sentimentos que invadem nossas Vidas “inesperadamente” adquirimos certa couraça emocional... 

Pena que a grande maioria das pessoas, de maneira geral, ao longo dos anos, sob o peso de uma Sociedade Artificial => atrofiem deliberadamente o canal do SER e do SENTIR em prol de uma obsessiva visão do concreto.    

terça-feira, 7 de junho de 2016

A SINA DO ARTISTA

A SINA DO ARTISTA


Enquanto VIVE O SEU MUNDO PELA DIMENSÃO DA ARTE... (sobre) VIVE em um Plano Paralelo - marcado pela dinâmica artificial, obsessiva e aflita que aprisiona o "Vir a Ser" em nossos próprios pesadelos...

Nesse contexto - O Artista é para esse Plano => Trem Doido => em menor ou menor grau:
Um Alienígena.


                 Claudio Pierre

domingo, 5 de junho de 2016

PARA ÍSIS

PARA ÍSIS


Os Sonhos do Artista são feitos para Ascender as Almas que comunguem com seu limitado suspiro encantado... Na atmosfera mágica que faz com que o “tempo” tenha um toque especial em nosso Caminho => em qualquer idade.


                            Claudio Pierre

//

Meu comentário: Na medida do possível - aproveito todas as oportunidades para venerar o Essencial. 

É como uma bela frase que recebi: 

- "Eu sempre planto Amor. No pior dos casos, colho sozinho." 
              - Matheus Jacob 

E foi assim que hoje respondi com a "Poesia" acima a seguinte Mensagem grifada abaixo que recebi de Fabiana Esteves hoje de manhã: 

Ísis ta escutando seu cd. Logo que consegui ligar o DVD na caixa de som, ela pediu pra escutar seu cd. Quando eu liguei ela disse: ah. É tão lindo! Vc tem uma fã mirim.

sábado, 4 de junho de 2016

AS PALAVRAS

AS PALAVRAS

=> langor – (ô) S.m. Languidez.
=> languidez (ê) S.f. Estado ou qualidade de lânguido; langor.
=> lânguido – Adj. 1- Sem forças, sem energia, frouxo, fraco, abatido, debilitado, extenuado, langoroso. // 2 – mórbido, doentio. // 3 – voluptuoso, sensual, langoroso. 

Assim são as palavras – cabem na medida das mutáveis faces do seu Criador...


Claudio Pierre


//
Meu comentário: Esse é um dos motivos pelos quais tanto pondero me insurjo e rebato, na medida em que, além dessa circunstância mutável, sobretudo, utilizamos as palavras como subterfúgio para dissimular segundas intenções em conceitos como por exemplo: Política e "politicagem"...  

sábado, 14 de maio de 2016

A TESTEMUNHA

A TESTEMUNHA

Não pretendo ser herói nem vilão...

Nem tampouco O maioral nem o idiota, lunático e sonhador...

Esse Plano já me mostrou sua face mais destrambelhada; bem como, A mais Sublime.
 
Ao mesmo tempo em que percebo ser inútil quebrar esse ciclo de insanidade da roda vida sobre um poder artificial; também considero que
“algo” deva ser feito para marcar presença – em contraponto aos “louros” – “luzes e ribalta” tão presentes e qualificados nesse Plano, que causam tanto “deslumbramento”... 

Sei que pratico uma linguagem “estranha” e “incompreensível” às massas que são movidas predominantemente pela diretriz de “uma pretensa realidade que vem de fora”, contrariando algo tão elementar ao julgamento da Espiritualidade:

 => Não levamos para outra dimensão nada além do que cultuamos internamente = valores e princípios...

Enquanto o conjunto das tensões advindas dessa conjuntura artificial e exterior em função da obtenção de bens materiais é “deixado” aqui...     



                  Claudio Pierre de França 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

PAISAGEM PELO TELEFONE

Paisagem pelo telefone
João Cabral de Melo Neto

Sempre que no telefone
me falavas, eu diria
que falavas de uma sala
toda de luz invadida,

sala que pelas janelas,
duzentas, se oferecia
a alguma manhã de praia,
mais manhã porque marinha,

a alguma manhã de praia
no prumo do meio-dia,
meio-dia mineral
de uma praia nordestina,

Nordeste de Pernambuco,
onde as manhãs são mais limpas,
Pernambuco do Recife,
de Piedade, de Olinda,

sempre povoado de velas,
brancas, ao sol estendidas,
de jangadas, que são velas
mais brancas porque salinas,
que, como muros caiados
possuem luz intestina,
pois não é o sol quem as veste
e tampouco as ilumina,

mais bem, somente as desveste
de toda sombra ou neblina,
deixando que livres brilhem
os cristais que dentro tinham.

Pois, assim no telefone
tua voz me parecia
como se de tal manhã
estivesses envolvida,

fresca e clara, como se
telefonasses despida,
ou, se vestida, somente
de roupa de banho, mínima,

e que por mínima, pouco
de tua luz própria tira,
e até mais, quando falavas
no telefone, eu diria

que estavas de todo nua,
só de teu banho vestida,
que é quando tu estás mais clara,
pois a água nada embacia,
sim, como o sol sobre a cal
seis estrofes mais acima,
a água clara não te acende:

libera a luz que já tinhas.

                                                   QUADERNA - 1956 - 1959