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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ACERCA


Ele disse que vinha voando.
Mas há tempos
eu pus
grades
redes
telas
nas janelas.
Ele disse que me inspira.
Mas há tempos
eu pus
ponto final
nos versos.
Só me restam frases feitas.
Ele disse que pulava da pedra
mais alta.
Mas há tempos
eu pus
camas infláveis
imensas.
Ele disse que pulava o muro.
Mas lá fora
há cercas
eletrificadas
alarmes
sensores de presença...
Ele disse que vinha me acordar.
Mas há tempos
não durmo.
Não há mais
como
fechar os olhos.
Ele então mudou os planos.
Nada disse.
E eu há tempos
não ouvia
o silêncio.
Pouco pude fazer.
Ele disse que vinha me beijar.
Como se proteger
de uma canção?

 (Fabiana Esteves)
(28/01/2012 – ouvindo “Soprano”)

Um comentário:

almadelua disse...

Minha Cara Poetisa,

Bom rever seus versos por aqui...

Na manifestação poética "dialogamos" com nossa essência mais sutil, ela revela contextos de nossa jornada, fragmentos de nossa Unidade...
Com certeza esses "fragmentos" podem ser apreciados por aquele que se dispõe a perceber a natureza da nossa Condição Humana.