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quinta-feira, 23 de maio de 2013

O ORÁCULO



Costumo dizer que quando estou estudando Música, é como se eu penetrasse numa espécie de Oráculo.

Envolvido na Abstração dos Sons, recebo uma série de mensagens que são absolutamente atemporais, e que dizem respeito ao meu Caminho, e além dele...

A isso considero a concepção de uma outra Expansão de Consciência!!!

Creio que essa seja a experiência mais Absoluta para o Músico nessa Arte.

 – Da experiência nesta outra Dimensão, independentemente do que seja considerado como Obra-Prima ou não, repercute o verdadeiro Espírito Musical, que concede essa benção – seja ao executante e até ao ouvinte que tenha a sensibilidade de decifrar uma espécie de mensagem que transpassa os limites concretos desse plano.  

E não considero que essa seja uma questão romântica. Entendo como a mais sólida realidade, embora abstrata...

Tanto tenho essa convicção, que esse Livro está sendo construído sem nenhuma pretensão de polemizar com aquele que não considera esse aspecto Transcendental. Estou escrevendo movido pelo sentimento de Amor a Música. Intencionado em trabalhar textos que sejam agradáveis aqueles que transitam no Universo Musical; e fundamentalmente, retratando a experiência que vivi no “labirinto das horas” - conseqüentemente, caracterizando uma insólita vivência marcada pela perseverança no caminho de retorno...

A propósito, essa também foi uma das leituras do Oráculo para minha Sina.   

                                  Claudio Pierre

(Extraído do Registro "Para os Músicos").
                       

sábado, 18 de maio de 2013

POEMINHAS PINÇADOS EM CONVERSARIAS DE LAÍS I

O NADA

Vamos falar sobre o nada?
Eu sei o que é o nada.
Aprendi com o Damião.
Ele sabe o que é o nada.
O nada é uma pessoa
sozinha
no quarto
com a luz apagada.
Uma criança
sozinha
no jardim
de noite
é o nada.

POEMINHAS FISGADOS EM PAPO DE ÍSIS II

LISTA DO NÃO

Papai não gosta de...
desenhos
livros
receitas
xícaras
histórias
diversões
sapatilhas
bonecas
joaninhas
leões
bolas de menina
nem de sol
nem de lua
nem de tarde...
Só de futebol.

POEMINHAS FISGADOS EM PAPO DE ÍSIS I

DIACORES

A tarde é amarela.
O dia é azul.
A noite é bem clara,
clara de azul.
O sol tem o dia
e a noite tem a lua.
A tarde tem um solzinho.
O solzinho é assim,
como o círculo
como a minha bola
          a minha lua
          - minha lua rosa-


sábado, 11 de maio de 2013

YIN



Todo dia é Dia da Criação!
Todo Dia é Sagrado!

Logo a Natureza concebeu a fêmea a Sagrada tarefa de gerar a Vida com a co-participação do macho. Entretanto a história que envolve a complexidade da civilização humana espelha também um conjunto de distorções ao Sagrado nessa Sociedade de contrastes...

Se o Sagrado fosse realmente compreendido no íntimo do Ser Humano que habita em nós o Espírito que se observa na maior parte da população em certas datas comemorativas, não seria exceção, pois a vivência do dia a dia expressaria o Sagrado.  
  
A consciência do Sagrado transcende certamente o sentido meramente “comercial” de celebração de uma determinada data, e envolve também uma necessidade de aprimoramento das distorções de nosso íntimo.

Sou um cara chato prá muita gente... Mas se “socialmente” esperamos que o “Dia das Mães” se caracterize pela celebração de uma “data especial” – vejo com certa reserva esse enfoque, pois Mãe é algo que transcende e se assemelha ao Divino, ou seja, simplesmente se manifesta – seja de forma presente ou não – Mães que já partiram desse plano, continuam sendo Estrelas – referências para todos os Dias Sagrados de nossa(s) Existências.  
   
     Claudio Pierre

terça-feira, 7 de maio de 2013

PARADOXO



O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.
(Bill Gates)


"O Mundo', assim como "O Tempo" nesse plano, necessitam de um testemunho - que é a nossa subjetiva visão... O problema é que socialmente "somos programados" para inverter esse processo compelidos a buscar as respostas do lado de fora ("do mundo" que resulta na visão de nossa ficção meramente mental – geralmente baseadas na ótica de resultados objetivos) – ASSIM vivemos teleguiados por aquilo que vem “do Mundo”: Pelos canais de comunicação, pela propaganda, pelo marketing, pela “moda”; ou mesmo por pessoas "bem sucedidas (principalmente economicamente)......
O mundo e o tempo não têm condição para se preocupar com nada, pois simplesmente não expressam a subjetividade do Ser Humano. //No fundo tudo é uma questão de escolhas => de fora para dentro e/ou de dentro para fora...
(Claudio Pierre – mero plebeu)

terça-feira, 30 de abril de 2013

DIÁLOGOS / CONSCIÊNCIA



Interiorizar, buscar integração com nossa essência interior, está relacionado ao contato com a nossa mais real e profunda identidade. Portanto, o exercício pleno de nossa condição de Ser Humano requer fundamentalmente uma questão de autoconsciência dessa nossa particular história de humanidade, o que se correlaciona com: silêncio, humildade, paciência, perseverança; e, sobretudo Amor.

Particularmente creio que esse estado sugere uma integração incondicional aos elementos – Palavra, Sentimento e Ação, correspondendo ao equilíbrio interior proporcional aos centros: Ser, Sentir e Pensar.

Conseqüentemente, essa autoconsciência só tem condições de aflorar quando permitimos o devido espaço interior em nosso Ser.

Porém existe uma dinâmica exterior oposta a esta direção, que aparentemente se impõe “socialmente”.
De modo que nesse contexto “surge” um agente abstrato e subjetivo de sedução “personificado” pelo substantivo => “As pessoas”...

Assim, geralmente, deixamos de fazer ou realizar algo de grande importância pessoal, paradoxalmente, considerando que “as pessoas” seguiriam em direção oposta...

Vou dar um exemplo bem simples e comum:
Em uma festa, nem sempre estamos pré dispostos a determinados comportamentos, mas, sob a pressão “das pessoas”, geralmente nos excedemos quando não temos o devido equilíbrio: seja na alimentação, quanto em determinadas atitudes.

Além disso, sem perceber, podemos incorrer no erro de que todas as nossas ações sejam balizadas pelo que dizem “as pessoas”, muitas vezes em detrimento daquilo que me parece se afigure mais fundamental, ou seja, a subjetiva ação consciente.

Em decorrência desse processo, creio que, por exemplo, prevalece por aqui a ótica capitalista que se caracteriza pela exacerbação da ansiedade e a “corrida” pelo tesouro falso – conduzindo na prática para a idolatria ao deus Dinheiro, que invariavelmente insensibiliza o potencial de humanidade e acentua a “programação” para o ser sub humano.

É por isso que as Sociedades se configuram decadentes...
Persistindo esse modelo justamente pela hipnose do Poder que corresponde à imposição de “modelos” de humanidade.

Essa “contaminação” abrange os diferentes setores da Sociedade:
ð Governos que são instaurados sob essa falácia – pregando serem os principais agentes responsáveis pela Justiça e Ordem Social (das pessoas...), na realidade se sustentam pela continuidade do caos, da fome e da ignorância (tanto no plano material como espiritual).  Na linha do Poder alimentam a riqueza e a arrogância que gera esse mundo de contrastes.
ð Governantes – o engodo da representatividade – onde o representante detém o Poder sobre aqueles que jurou representar (as pessoas...), a começar pela quantidade de benefícios que este cargo conduz.
Porque, e com que direito isso acontece??!
Se alguém “nos representa” não caberia que na condição de “representados” pudéssemos determinar os limites dessa representação, desde salários até critérios de moralidade entre os nossos supostos representantes...
ð Governados – simplesmente somos “programados” a aceitar que sejamos “representados”, sem que tenhamos o direito de opinar sobre determinadas posições contrárias ao nosso próprio interesse. Desse modo, passamos a “depender” de uma sensibilidade que simplesmente não existe da parte daqueles que detém o poder, haja vista ser esta representatividade uma forma de garantia de privilégios desses representantes sobre o cidadão comum, a começar pela questão salarial.

No fundo, somos induzidos a crer que existem Super Homens, que podem resolver sobre o nosso Destino (das pessoas...); bem como estes seriam os “responsáveis” pela nossa felicidade; como se fosse possível um determinado grupo que detém privilégios e condições superiores à maioria, devido a sua condição política, de repente, abdicassem de tantas benesses ou em outras palavras, estendessem a população às mesmas condições “privilegiadas” que ele passou a desfrutar, ou sempre desfrutou.

Será que haveria tantos políticos, se na investidura de qualquer cargo dessa natureza, os mesmos tivessem que obrigatoriamente terem seus familiares utilizando os serviços públicos oferecidos a população, desde saúde, até segurança e educação, bem como, terem os seus proventos estabelecidos a partir de uma concessão dos seus “representados”- ou seja o povo; ou até mesmo não receberem nenhum valor, pois teriam de ter uma profissão regular.
 
Creio que a complexidade dessas questões está diretamente envolvida nas sutilezas que dizem respeito à essência de cada ser individualmente. Contudo, ao sermos de certa maneira ”programados” (inclusive pela nossa própria ignorância sobre o  valor fundamental da nossa autoconsciência interior), entramos em um circuito teatral onde somos manipulados e nos deixamos manipular, desperdiçando assim nossa energia vital.

 Claudio Pierre 

(Do Registro Diálogos / Consciência // Discursos de um Plebeu).

segunda-feira, 22 de abril de 2013

FRAGMENTOS



Eu amo as Estrelas,
Assim o firmamento resplandeceu a sua Luz em minha vida...

Além deste Brilho, o Céu e a Terra me concederam a oportunidade de trilhar meus caminhos:
Com a Terra plantei sementes de Harmonia, por vezes em solo infértil,
Pelo Céu minhas Asas alçaram um vôo, além das Limitações do Tempo e Espaço – Os Sonhos do Místico – por vezes sujeitos às trepidações das correntes aéreas.

Assim como o Infinito, pressenti que o Corpo é como uma das fases de um ciclo transcendente e inefável de sentido, de concepções verbais...

Certamente, até o Silêncio da Prece, do Encontro do ser perante a Unidade – tem seu prolongamento em níveis mais sutis de concepção – para além de nossa Natureza e Compreensão...

De certo este é um indício do que somos nesta existência
-          Fragmentos de um sopro divino.  

                        Claudio Pierre

(Do Registro => Fragmentos)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

FIAPO

(Para Duda, Rilary, Emanuelle e Isadora, nossas pequenas ex-companheiras de quarto)

Entrou a luz
do sol
onde há dez
dias
não vinha.
Desenho
de palhaço
para
colorir.
Reservo
espaço
e boca
para sorrir.
O fiapo de luz
refletiu
na cortina
fria
pesada
estática
do quarto
de hospital.
Muitas
crianças
já foram
para suas casas
e os fiapos
que agora
atravessaram
a fresta
não davam conta
de invadir.
Reservo
espaço
e boca
para rir.
Papel no chão.
Vômito.
Escarro.
Pão.
Nada disso
daria
pano
à palavra
pura
de poema.
E daí?
Moveu-se
uma fresta...
Reservo
espaço
e boca
para só-rir.